Obra-prima
Dizem as más línguas que ninguém menos que François Truffaut confessou que trocaria todos os seus filmes por "O boulevard do crime" (cujo mérito o próprio Truffaut atribuía, em grande parte, é verdade, a um polivalente Jacques Prévert). Em 1995, na esteira das comemorações do centenário do cinema, uma enquete realizada entre críticos, diretores, atores e técnicos apontou que o melhor filme francês da história era, justamente, "O boulevard do crime". Se, por um lado, isso não quer dizer muito —para que um filme colecione tanto entusiastas como detratores, basta que exista—, por outro, é bom lembrar que "O boulevard...", eleito o clássico francês "par excellence", ofusca a obra de diretores importantes como Abel Gance, Jean Vigo, Jean Renoir e Alain Resnais e, de quebra, as obras de todos os diretores da "nouvelle vague". Não é pouco. Destaque para J.-L. Barrault e P. Brasseur, formidáveis.